domingo, 11 de janeiro de 2009

Juventude moderna....

"Conversamos então sobre a nossa vida de crianças mimadas, o excesso de chablis me su­bira a cabeça e me sinto naquele estado em que o raciocínio se perde e tudo se torna detestável. Caminho arrepiada, o olhar vagando pelo calça­mento e penso em voz alta:
- A gente tem uma vida... uma vida de babacas. Comemos, dormimos, transamos, saímos. Sempre a mesma coisa se repetindo... Cada dia é a repe­tição inconsciente do anterior: a gente come uma coisa diferente, a gente dorme melhor, ou pior, transa com uma outra pessoa, vamos a um lugar diferente quando saímos. Mas é igual, sem objetivo, sem interesse. Nós continuamos e nos de­terminamos objetivos materiais. Poder. Dinheiro. Filhos. A gente perde a cabeça tentando realizá-los. Mas, ou a gente nunca consegue alcançá-los, e fica frustrada para o resto da vida, ou, quando consegue, percebe que não dá a mínima. Depois a gente morre. E fica com a boca cheia de terra. Quando a gente se dá conta dis­so, a vontade que dá é de encher logo a boca de terra, para não ficar lutando em vão, para pre­gar uma peça na fatalidade, para escapar da armadilha. Mas a gente tem medo. Medo do des­conhecido. Do pior. Então, quer queira, quer não, a gente fica sempre esperando alguma coi­sa. Do contrário, já teríamos apertado o gatilho, engolido a caixa de comprimidos, pressionado a lâmina da navalha até o sangue jorrar...
A gente tenta se distrair, fazer a farra, a gen­te procura o amor, acha que o encontrou, e de­pois vem a recaída. De muito alto. A gente tenta brincar com a vida para fingir que a domina. A gente anda rápido demais, andamos à beira do abismo. Cheiramos pó em demasia, tomamos remedio como se fosse agua, beirando a overdose... Os limites se perdem. A gente é uma espécie de elétron sem núcleo.Temos , um aspirador no lugar do na­riz, e nada no lugar do coração, vamos às boates muito mais do que às aulas, temos mais marcas de morfina do que amigos de verdade e duzentos nú­meros de telefone nos nossos caderninhos para os quais nunca ligamos. Nós somos a Jeunesse Dorée. E a gente não tem o direito de se queixar, porque aparentemente temos de tudo para ser­mos felizes. E a gente morre lentamente nos nossos apartamentos grandes demais, fartos, entupidos de heroina e antidepressivos e um sorriso nos lábios... "

Esse texto foi tirado do livro : Hell.Com mudança de algumas partes por mim...

Creio que o texto não precisa de reflexão
A unica coisa que difere essa personagem do texto a juventude moderna como um individuo, é o material usado...

( sempre exitem exceções )

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